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Agora pode! Leve seu filho ao MASP

Arte
Censura

A partir de agora, pais podem discutir livremente sobre sexualidade com seus filhos, através da arte, também no MASP
Maria Hirszman
Publicado em: 09/11/2017 - 15:34Alterado em: 09/11/2017 - 15:46
Victor Meirelles, Moema, 1866 Óleo sobre tela [Oil on canvas], Acervo MASP [Collection]

A decisão do Masp de proibir a mostra “Histórias da Sexualidade” para menores de 18 anos, felizmente revertida esta semana após a publicação de uma nota técnica pela Procuradoria Técnica dos Direitos do Cidadão (Ministério Público Federal), seguiu uma estratégia perigosa. Se toda a discussão em torno da censura aplicada acabou revertendo em uma grande publicidade em torno do museu e da instituição, atraindo novos visitantes curiosos, a medida acabou por levar a um desgaste da imagem do museu como instituição independente e autônoma.




Ayrson Heráclito
Gaye com folhas Gu, 2015
Cortesia Portas Vilaseca Galeria

Há dois pontos a serem considerados em relação a esse assunto:

Em primeiro lugar a decisão de não seguir o sistema de classificação indicativa, em vigor no país há décadas, mas usualmente aplicado aos setores cinematográfico e teatral, que agora volta a entrar em vigor. De acordo com esse sistema, a fiscalização se resume a indicar aos pais que aquele conteúdo pode não ser adequado para determinada idade por conter aspectos como nudez, violência etc, mas cabe ao responsável legal pelo menor decidir se ele está apto ou não a vivenciar aquela experiência. Museus sempre seguiram iniciativa semelhante, indicando quando a sala continha algum trabalho não indicado para menores.

Essa metodologia – derivada da Constituição e de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente – foi deixada de lado pelo Masp desde a abertura da mostra até o dia 7, quando emitiu nota liberando o acesso dos menores à exposição, desde que acompanhados pelos responsáveis legais. Possivelmente o abandono do sistema mais rígido de interdição – similar aquele praticado antes da redemocratização no país – foi também uma resposta às ações de país contra o museu, contestando o que consideravam um cerceamento do direito de seus filhos, e aos protestos gerais contra o que muitos apontam como um retorno da censura e uma capitulação excessiva.

Em segundo lugar cabe destacar o excessivo rigor na determinação da faixa etária adequada. Apesar de bastante mitigado no momento, a classificação constitui evidente exagero. Segundo norma do Ministério da Justiça, a indicação (não a proibição) de 18 anos corresponderia a situações que nem de longe se verificam nos trabalhos mostrados, ainda mais levando em conta que contextos cômicos ou históricos (como a crítica à exploração sexual colonialista que constitui a base da obra de Adriana Varejão) são considerados atenuantes.

Agindo com excessiva e injustificada cautela, o MASP não apenas alijou parte da juventude de seu direito de ver e debater as questões relacionadas à sexualidade – tema de enorme importância num momento definidor como a adolescência –, como alimentou indiretamente àqueles que se utilizam do escândalo e da falsa moral como armas políticas. Felizmente, voltou atrás.

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