Brasileiros

Liberdade para Rafael Braga é o único remédio para um Brasil doente

Página B - Brasil

Na quarta-feira, ministro do STJ considerou que o ex-catador poderia cumprir a pena em casa por estar debilitado em decorrência da tuberculose
Da Redação
Publicado em: 15/09/2017 - 19:17Alterado em: 25/09/2017 - 14:20
Retrato feito minutos depois de Rafael Braga deixar prisão, no Rio de Janeiro (Foto: Luiza Sansão/Ponte Jornalismo)

É a segunda denúncia contra o Temer. São R$ 51 milhões no apartamento do Geddel. E ainda tem o companheiro Palocci falando que entregava dinheiro nas mãos do Lula.

São 96% dos brasileiros que confiam pouco ou não confiam na Presidência da República. É 92% da população que acredita que a justiça trata melhor os ricos do que os pobres. E apenas 2% que confia muito nos partidos políticos.

Já teve golpe, já teve Copa, já teve Olimpíada, já teve tudo. E o Brasil ainda não conseguiu sair do mar de lama tóxica que a vale despejou no coração do País, num rio que já foi doce, mas que hoje é morte.

Em terra de desesperança, há uma única luta possível: liberdade para Rafael Braga - um ex-catador de materiais recicláveis que reflete em seu corpo uma política violenta, racista e punitivista.

Único condenado nas manifestações em junho de 2013, ficou preso injustamente por mais de três anos por portar desinfetante Pinho Sol e água sanitária, com a alegação de que pretendia fazer coquetel molotov.

Por isso, Rafael Braga é símbolo máximo de um Brasil mata 60 mil pessoas por ano, encarcera 600 mil cidadãs e cidadãos em presídios desumanos e vive uma falsa superação da escravidão, da ditadura e do colonialismo.

Por isso que se comemora tão pouco: um habeas corpus para que Rafael Braga fique preso em casa até que termine de tratar a tuberculose contraída no presídio é uma das melhores notícias em muito tempo.

É uma notícia melhor que junho de 2013, pois junho de 2013 só tem um legado a se respeitar se Rafael Braga estiver livre. Não existe um novo ciclo de lutas com racismo institucional, com encarceramento em massa e com indiferença às injustiças.

Mais que isso, entender e dar a importância devida à Rafael Braga e às jornadas de junho é fundamental para compreender as ocupações de escolas em todo o Brasil em 2015 e 2016, o movimento feminista e seus levantes e o surgimento de coletivos auto-organizados nas periferias.

Não são “novos sujeitos”, como certos acadêmicos tentam rotular. São lutas históricas, mas que agora ganham novas estratégias: se apropriam das tecnologias de comunicação, apostam em uma disputa potente de valores estéticos e se organizam de forma muito menos vertical e autoritária.

São essas experiências que precisam reinventar a luta social no Brasil. É inadmissível que as direções de movimentos sociais e partidos políticos que se dizem de esquerda ainda sejam compostas quase sempre apenas por homens, brancos, heterossexuais e ricos.

Não estou falando aqui de uma questão simplesmente identitária, é muito maior que isso: é sobre o impacto da falta de representatividade nas pautas que disputamos, diminuindo a importância dos novos ativismos e suas potências, da tecnologia e de sua disruptividade, da arte e seu poder.

Liberdade para Rafael Braga é o único remédio para um país doente.

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