Brasileiros

Filme aborda perversidades em torno da arte contemporânea

Cultura - Cinema

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, 'The Square - A Arte da Discórdia', de Ruben Östlund, estreia em circuito comercial nesta quinta-feira (4)
Fabio Cypriano
Publicado em: 04/01/2018 - 15:50Alterado em: 04/01/2018 - 15:50
Cena de 'The Square - A Arte da Discórdia', de Ruben Östlund. Foto: Divulgação

Não se trata de um ataque à arte contemporânea. The Square – A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e representante da Suécia a uma vaga no Oscar, é de fato uma crítica contundente à sociedade do espetáculo e toda perversidade que dela emana.

O ambiente principal é de fato um museu, ironicamente chamado X-Royal, como a indicar a grandiloquência que essas instituições vêm buscando assumir no campo da arte, utilizando para tanto a arquitetura de efeitos como um alicerce. Tudo teve início no Guggenheim de Bilbao.

Pois no X-Royal prepara-se a mostra de uma artista conceitual e socióloga argentina, que utiliza a teoria da Estética Relacional de Nicolas Bourriaud para preparar sua individual. Até aí, o roteiro está bem informado sobre a cena de arte contemporânea. Entre as obras, um quadrado de luz no chão à frente do museu, The Square, cria um espaço de convívio entre os transeuntes. Na Bienal de São Paulo, em 2008, Maurício Ianês possuía um trabalho um tanto semelhante, aliás, em torno de figuras geométricas desenhadas no chão, entre elas um quadrado.

A questão central do filme não está na obra em si, mas como a partir dela chamar a atenção do público para a exposição da artista argentina. É quando entra em campo uma dupla de jovens publicitários especialistas em redes sociais. Eles querem criar algo que viralize na internet sem nenhum tipo de constrangimento, como é típico no marketing. Aí é que o bicho pega.

Contudo, The Square possui vários subtemas, que giram em torno do diretor do museu, Christian (Claes Bang): ele se vê envolvido em várias confusões, seja por conta do sexo que teve com uma jornalista que o entrevistara (Elisabeth Moss, de Mad Men), seja por conta de um celular roubado, ou mesmo por sua desatenção no cotidiano do museu, o que na verdade tem razão em parte por causa do sexo e do celular.

Mas é mesmo no X-Royal que está a cena mais marcante, um jantar de gala tão similar a esses sofisticados eventos black-tie, que conselheiros dessas instituições tanto apreciam, e que de repente é colocado em cheque por uma performance agressiva e surreal, sonho de qualquer ser humano razoável frente a essas convencionalidades enlouquecidamente entediantes. Lembra o constrangimento do jantar em Festa de Família, de Thomas Vinterberg.

De fato, é esse tipo de perversidade que permeia The Square e que está tão presente no cinema escandinavo: revelar as obsessões de cada um, do modo mais exagerado possível, porque através de caricaturas pode-se perceber como pequenos gestos às vezes levam a grandes tragédias.

Veja abaixo o trailer oficial de The Square - A Arte da Discórida

Assine e Colabore

Precisamos do seu apoio. Por menos de um café com pão de queijo, você garante jornalismo com rigor editorial.

X

Acesso restrito a assinantes e cadastrados

Você atingiu o limite de 5 REPORTAGENS por mês

Identifique-se para continuar e ler 10 Reportagens por mês

Cadastre-se

ou

Conecte-se com o Facebook

já sou cadastrado

Colabore conosco!
Colabore com o futuro do jornalismo de qualidade.
Assine agora e tenha acesso ilimitado

Aproveite nossa promoção de lançamento e pague apenas R$ 1,90/mês*

Quero Assinar * Promoção válida até 31 de Dezembro de 2017