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A crise dos mísseis e a placa da Tiffany

Opinião - Coisas da História

Maior tensão da Guerra Fria durou 13 dias, quase terminou em catástrofe nuclear e foi registrada em calendário de prata
Luiza Villaméa
Publicado em: 04/09/2017 - 18:33Alterado em: 04/09/2017 - 18:58
Foguetes antiaéreos montados em lançadores durante a crise, em Key West, na Flórida (Foto: Reprodução)

No auge da crise dos mísseis, um avião-espião americano U-2 foi derrubado enquanto sobrevoava Cuba em 27 de outubro de 1962, um sábado, matando o piloto, major Rudolf Anderson. O presidente John Kennedy havia ameaçado bombardear as bases de mísseis nucleares instaladas pelos soviéticos na ilha se algum avião dos Estados Unidos fosse atacado. Na última hora, mudou de ideia: “Talvez tenha sido um acidente”.

Naquela altura, a crise entrava em seu 12º dia e os EUA tinham inclusive imposto um bloqueio naval a Cuba. O conflito começou quando os americanos descobriram que a então toda poderosa União Soviética havia instalado mísseis nucleares de médio alcance na ilha caribenha, a apenas 145 quilômetros da costa da Flórida. Eram tempos de Guerra Fria, com o mundo dividido entre as duas superpotências.

Para Cuba, ter um arsenal nuclear significava a possibilidade de coibir uma invasão americana. Afinal, Fidel Castro tomara o poder na ilha havia mais de três anos e se alinhara à União Soviética. Os Estados Unidos não se conformavam com a ideia. No ano anterior, tinham patrocinado uma tentativa fracassada de invadir o país a partir da Baía dos Porcos.

Por outro lado, os mísseis intercontinentais americanos tinham o triplo do poder destrutivo dos similares soviéticos e podiam atingir Moscou. Para a União Soviética, instalar mísseis intermediários em Cuba compensava a própria inferioridade bélica. À frente da ofensiva estava o líder comunista Nikita Kruschev, um ex-metalúrgico que alcançara o topo da hierarquia soviética.




Peso de papel fabricado pela Tiffany marca os 13 dias da
crise dos mísseis (Foto: John F. Kennedy Presidential Library)

Diante da investida, os conselheiros militares de Kennedy o pressionaram a invadir Cuba sem demora, para destruir os mísseis soviéticos. Apoiado nos aliados civis do gabinete, o presidente rejeitou essa opção. Quando até foguetes antiaéreos estavam instalados em praias da Flórida, Kennedy e Kruschev encontraram uma saída, diplomática, com detalhes secretos.

De público, os Estados Unidos se comprometeram a não invadir Cuba. Na sequência, a União Soviética cumpriu sua parte do acordo e retirou os mísseis nucleares da ilha governada por Fidel Castro. Mais tarde, a parte secreta do acordo foi cumprida: o governo americano retirou os mísseis que mantinha na Turquia, bem perto das repúblicas soviéticas.

Passado o risco de uma hecatombe nuclear, Kennedy presenteou àqueles que estiveram mais perto dele durante a crise com um peso de papel criado pela icônica joalheria Tiffany. No peso, uma placa de prata devidamente emoldurada por madeira, colocava em destaque os 13 dias da crise de outubro de 1962. Uma das peças foi oferecida pelo presidente americano à mulher – Jacqueline Bouvier Kennedy – com as iniciais dos dois.

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