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Guerra e paz: as reflexões de André Sturm sobre a turbulência na cultura em SP

Cultura

O secretário municipal de Cultura entra no décimo mês de gestão com uma série de episódios que indicam um personagem predestinado a ocupar o centro do debate sobre a política cultural na cidade. Pela paz ou pela guerra?
Paulo Motoryn
Publicado em: 04/10/2017 - 19:01Alterado em: 06/10/2017 - 18:13
André Sturm recebeu a reportagem de páginaB! em seu gabinete (Foto: Coil Lopes)

Dizem os críticos de literatura que o tamanho do livro Guerra e Paz explica-se pelo tempo que Lev Tolstoi demorou para terminá-lo. Os primeiros rascunhos e manuscritos do autor são de 1856, mas a primeira parte do romance foi divulgada em folhetim no jornal The Russian Herald em 1865. O livro completo foi publicado apenas em 1868.

Como secretário municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm não precisou nem de nove meses para fazer nascer uma narrativa digna do romance russo, em que suas facetas de guerra e de paz tomaram o centro dos noticiários. O último episódio promete novos capítulos. Em nome da tolerância e o respeito às instituições culturais da cidade, como o Museu de Arte Moderna (MAM), que teve funcionários agredidos após ataques feitos na internet, Sturm declarou um confronto simbólico contra o próprio chefe, o prefeito João Dória.




Boni: primeira opção de Dória (Foto: Reprodução)

“Minha opinião é que a liberdade é o maior valor da democracia. Não concordo com nenhuma violência e agredir funcionários do MAM ou ameaçar destruir a exposição é inaceitável. Cabe aos gestores informar sobre o conteúdo do que apresentam e o MAM fez isso", disse, em vídeo publicado nas suas redes sociais, sobre a condenação de Dória à exposição no MAM.

Desde o início da gestão ele já viu seu nome mergulhado em uma série de discussões acaloradas. A primeira delas foi na sua própria escolha para o cargo, que ocorreu em detrimento de Boni, executivo da Rede Globo e primeiro nome convidado pelo prefeito João Dória para o posto. A reação negativa à possível nomeação de Boni fez com que o prefeito escolhesse Sturm para o cargo - sem dúvidas, um nome muito mais bem aceito na área da cultura do que o diretor da emissora carioca.

"Independentemente do Boni, eu acho que sou uma pessoa que tenho uma história na Cultura. Uma pessoa que foi convidada pela minha história"

“Eu sempre fui um militante da cultura, mas do outro lado”. Ex-diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) e cineasta, o atual secretário disse que não se assustou com o convite, justamente pela longa trajetória na área das políticas culturais. Ele também admite que se ancorou nas “três décadas de militância” para acreditar que a resistência ao seu nome não seria tão grande. Ledo engano.

Logo depois de sua nomeação, ainda no início do ano, a Prefeitura congelou em 43,5% a verba da cultura do município, o que gerou diversos protestos de artistas e militantes. O repasse para o setor tornou-se o mais baixo entre todas as pastas. Manifestações de rua, cartas de repúdios de diversos setores artísticos e até ocupação do prédio da Secretaria de Cultura foram episódios que ocorreram em resposta aos cortes.

Quando a poeira baixou, mais confusão. No final de maio, Sturm ameaçou agredir o agente cultural Gustavo Soares, de 25 anos, durante uma reunião realizada na sede da Secretaria Municipal da Cultura. O momento de descontrole do secretário foi gravado pelo próprio Gustavo. “Vou quebrar sua cara”, afirmou Sturm ao rapaz por mais de uma vez.

"Já pensei muito a respeito, mas... [Foi] Claramente algo orquestrado"




Ocupação da secretaria em reação aos cortes no orçamento e ao episódio de ameaça contra um agente (Foto: Brasil de Fato)

Há pouco mais de um mês, ele refletiu sobre essas e outras polêmicas em uma entrevista exclusiva para o páginaB!, em seu gabinete no prédio da secretaria de Cultura.

Sob olhares atentos de suas assessoras de imprensa, que acompanharam a entrevista e interromperam a conversa algumas vezes para “complementar informações”, Sturm foi receptivo e se propôs a discutir com tranquilidade: o cenário da Cultura em São Paulo é de quebrar a cara?

Leia a entrevista completa:

É sua primeira grande experiência como gestor público, numa secretaria importante. Você já se sente à vontade nessa nova posição que está experimentando?

Olha, não precisou passar nove meses para me sentir à vontade. Tive algumas experiências no setor público, não como secretário, mas eu sempre fui um militante da cultura do outro lado. No cinema, por 30 anos eu fiz parte de todas associações, já militei, já briguei, já batalhei. Então esse mundo do poder público eu conheço muito pelo outro lado e um pouquinho pelo lado de cá. Claro que ser secretário tem esse peso que você menciona. Tem pessoas que te encontram e não te chamam pelo nome, e sim por secretário. Só que eu continuo a mesma pessoa, sinceramente. Então, não mudou muito pra mim porque não me deu esse peso, né. Claro que tivemos um período de turbulência, mas não tem a ver com esse lado que você está perguntando, então eu estou à vontade.

Dá para se orgulhar desse trabalho que você está fazendo?

[O trabalho é] Muito positivo. Eu acho que conseguimos manter praticamente todos os programas que existiam na secretaria, nem necessariamente da gestão passada, tem alguns que vinham até de mais tempo. Nós conseguimos com o recurso bastante reduzido, né?

Tivemos um congelamento inicial grande, mesmo assim conseguimos manobrar o que a gente tinha. Alguns diminuíram um pouco, mas eles foram mantidos. Sou muito crítico dessa atitude de que, quando começa uma nova gestão, tudo que tinha era ruim e tem que começar tudo do zero. Então, mantivemos os programas de formação, programas de fomento, vários outros e implementamos algumas coisas novas, como a Biblioteca Viva, que é um processo, não é algo que se faz do dia pro outro. Estamos fazendo uma política de acesso, que eu acho muito importante. Todos os equipamentos da secretaria tem programação todos os finais de semana, coisa que não acontecia antes. Isso com todas as linguagens, que misturam artistas da região com artistas mais conhecidos, de maneira a mobilizar mais o público.

Acho que conseguimos fazer muita coisa, e quando eu ainda considero todos os percalços que a gente teve, toda energia que a gente desprendeu com embates, que eu considero, inclusive, boa parte deles, equivocados, eu acho que conseguimos realizar muito. Perdemos muito tempo com embates. E veja, dialogo é uma coisa, embate é outra. Diálogo faz parte. O contrário, o contraditório, faz parte. E isso não é perda de tempo, é importante. Desde que assumi me dispus a dialogar, fazendo encontros abertos com todas as linguagens. Desde o dia 19 de janeiro, toda semana eu vou para um bairro, conhecer as pessoas e ver como elas estão, e isso não é perda de tempo não. Estou falando mais das coisas violentas que aconteceram. 

Para fechar a primeira parte dessa avaliação de nove meses, você acha que esses novos programas já conseguem conferir a secretaria um pouco da sua cara, da sua visão? Já dá pra sentir que não é só manutenção dos programas velhos?




Theatro Municipal: a cidade no teatro? (Foto: Divulgação)

Eu acho que sim. Conseguimos implementar essa política de abrir mais espaços culturais, as bibliotecas que não abriam ao domingos, coisa que pra mim é contrassenso. Devagarinho elas estão adquirindo público, é crescente. A política que fizemos no Theatro Municipal, acho que também é um destaque.

Fizemos em 6 meses mais espetáculos e tivemos mais público do que ano passado inteiro, com investimento muito menor em programação. Suspendemos a programação internacional e valorizamos os artistas da casa. Ao contrário de praticamente todos teatros municipais do pais, não demitimos um artista, todos são ‘seletizados’. Ampliamos o público. O Theatro Municipal tem a gestão, nós damos a diretriz. Numa programação, sem descaracterizá-la, com uma programação de música clássica, genericamente falando, mas com concertos que atraem o público, até concertos informais, que acontecem um vez por mês. A programação municipal para levar criança no sábado, a série de concertos e de público neles que foi um sucesso, enfim...

Fazendo com que o [Theatro] Municipal uma coisa que eu falava desde o início: "A cidade no Municipal", que acho que estamos alcançando, e o "O Municipal na cidade", que é também levar os corpos do teatro para outros lugares na cidade. Já levamos quarteto de cordas, parte da orquestra, parte do ballet, em várias casas de cultura e centros culturais. Então acho que isso também é importante, né? Levamos coisas de qualidade para todo mundo. Fizemos editais de fomento inéditos. Edital do reggae, edital de música, por exemplo. Eu não sabia que o reggae era uma cultura, achava que era um estilo musical. Conheci as pessoas, o movimento, dialogamos. Fizemos o edital de reggae, o edital de música, que não tinha acontecido. Um edital de circo, um pouco diferente, mas negociando e conversado com eles.

Sobre essa turbulência inicial da sua gestão. Você considera que já está superada ou ainda sente uma animosidade? Passado um tempo, você mais calmo para analisar todas as questões, era realmente uma perseguição, algo orquestrado, ou você via algumas reclamações legitimas? Como você analisa hoje com a cabeça mais fria?

Foi algo que não consigo entender, sinceramente. Já pensei muito a respeito, mas... [Foi] Claramente algo orquestrado. Acho que tinham três elementos. Tinha um grupo que queria efetivamente me derrubar, por motivos que não compreendo. Sem falsa modéstia, tenho uma história na cultura. Não sou uma pessoa que fui posta aqui porque sou amigo de alguém. Nem sequer amigo do prefeito eu era. Ele me convidou pelo meu trabalho no MIS e na Cultura de São Paulo. Não fiz campanha. Então, eu achei que teria uma recepção melhor. Tinham pessoas com interesses político-partidários e que queriam atacar a Prefeitura como um todo e eu virei alvo também. Acho que tinham grupos que tinham interesses na secretária e resolveram atacar apostando em que o secretário ficasse acuado. 

E tinha um quarto grupo que tinha razão nessa época? Ou você acha que estava todo mundo errado?

Vou te falar... No dia 19 de janeiro, eu era secretário não tinha nem três semanas. Portanto, eu não tinha feito nada. Fui no Centro Cultural da Juventude. Eu que marquei. O coordenador do centro cultural era da juventude do PT. Ele veio da gestão passada. Eu não o demiti. Ele manteve a equipe inteira dele. Todos militantes do PT. Porque eu mantive? Porque recebi boas informações do trabalho dele. Eu não sou de partido. Meu partido é a cultura. Quando eu entrei aqui, nós mantivemos mais de 90% da equipe. Troquei o gabinete e algumas coordenações. 

Em 19 de janeiro, liguei no CCJ (Centro Cultural da Juventude) e marquei com o coordenador falando: "Vou aí. Convida os artistas, os espectadores... Eu quero ouvir". Eu fui para lá achando que seria atacado pelos militantes do PSDB, porque eu tinha deixado os ''inimigos'' no CCJ. Para minha surpresa, tinham mais de 100 pessoas. Falei algumas palavras, fizeram uma fila de inscrições para se manifestar. E a cada três pessoas, duas berravam e me acusavam de não ter diálogo. Exigiam diálogo e diziam que nossas políticas eram todas calamitosas. Mas era dia 19 de janeiro. E um rapaz, que fez um discurso violentíssimo, ficou sentado à minha frente e, toda vez que eu respondia ele me interrompia. Uma hora pedi, educadamente, para ele parar de me interromper.




Artistas do centro e das periferias reclamaram dos cortes no orçamento da Cultura (Foto: Independente Jor)

No final do evento, todos falaram. Terminei agradecendo e tal. Quando eu virei, o rapaz estava a cinco centímetros da minha cara, me ameaçando. E eu disse "Veja, se você quer conversar mais, você marca uma audiência na secretaria." Virei e, quando virei, ele ficou gritando que eu tinha virado as costas para ele. Era dia 19 de janeiro. Esse rapaz, por coincidência, foi um dos líderes da invasão na secretaria. Foi o cara que quis me linchar na Câmara Municipal. Então não dá pra dizer... De novo, é claro que a gente comete erros. Mas no dia 19 de janeiro eu não tinha cometido erros.

Na semana seguinte, fui à Biblioteca de Guaianazes. Cheguei lá apareceram uns 10, 12 ativistas e militantes culturais, muito duros assim. Mas, dialogando, cobrando, cobrando e cobrando. Uma das coisas que eles cobraram é que não tinha casa de cultura em Guaianazes e eles queriam uma. Falei: "Olha, nesse momento não tem nada". Ai eles disseram que tinha uma casa de cultura que estava em reforma há não sei quantos anos. Eu não sabia. Voltei para cá, descobri que a casa estava quase pronta e mandei resolver. Ai, um dos rapazes que estava nesse grupo mexia com cinema e comentou que tinha um movimento de cinema em Guaianazes. Chamei ele para conversar aqui, achei super interessante, até marcamos o outro secretário e eu. Escuta o cinema da periferia. Convidei esse rapaz para ser coordenador da casa de cultura, que inauguramos um mês depois. Ou seja, ele era daquela turma, ele era ligado ao PT.

Quando eu falo ligado ao PT, não é porque o mundo se divide em PT e PSDB. É só pra dizer que aqui eu não fico perguntando o partido de ninguém para montar uma equipe. Ele parecia um rapaz articulado, militava no cinema, esteve lá para conversar. No dia da inauguração, eu fui e levei o prefeito. Chegamos lá e, assim, o prefeito teve que ir embora. Porque as pessoas gritavam, berravam, urravam e o ofendiam. As mesmas pessoas que tinham ido aquele dia, pedir para abrir a casa de cultura. O rapaz que eu tinha nomeado tinha combinado a manifestação com os caras. Quer dizer, eu fui lá, eles pediram a casa de cultura, eu abri a casa, nomeei um amigo deles, e as pessoas atacam e ofendem.

Gente, eu não tinha feito nada. A única coisa concreta que tinha é que nosso orçamento estava congelado em 43%. Fui eu quem congelei o orçamento da cultura? Não

Com terminou esse caso? Esse coordenador ainda está lá?

Não, claramente não. O cara combina, na inauguração do evento, de colocarem faixas viradas por toda a casa e que na hora que o prefeito chegou fossem desviradas... Ele participou daquilo, né. Então, é uma pena. Eu volto a dizer, claro que cometemos erros, mas foi muito cedo que começou essa movimentação. Começo de fevereiro fiz um encontro com o teatro. Dia 5 ou 7, algo assim. Chegamos lá, no Centro Cultural São Paulo. Chegamos lá e estava um peso! Tinham umas 700 pessoas. Entramos, peguei o microfone e dei boa noite. Todos começaram a vaiar. Eu não podia falar. Ai o presidente da Cooperativa pediu para deixar falar. Todas as manifestações eram que nós estávamos desmontando a cultura de São Paulo.

Gente, eu não tinha feito nada. A única coisa concreta que tinha é que nosso orçamento estava congelado em 43%. Fui eu quem congelei o orçamento da cultura? Não. Fui eu quem concordei com o congelamento da cultura? Não. Então assim. Ou era uma coisa... Ninguém é bobo.

Quando a sua nomeação aconteceu teve uma reação muito mais positiva do que teria se fosse a do Boni. Te surpreende que nesse início tenha vindo uma reação tão forte?

Independentemente do Boni, eu acho que sou uma pessoa que tenho uma história na Cultura. Uma pessoa que foi convidada pela minha história na cultura. E que, incialmente, houve uma manifestação favorável. Eu transito em todos os agrupamentos, então foi uma pena. Você falou do dia que eu falei que ia quebrar a cara do menino, e foi o dia que eu perdi a cabeça... Eu perdi a cabeça uma vez, que foi nesse dia. Isso foi final de maio, começo de junho. Foi numa segunda-feira.

Na sexta-feira anterior, eu tinha sido chamado para uma audiência pública na Câmara pelo vereador Toninho Vespoli e fui. Não sou obrigado a ir, mas eu fui, sabendo que ia ouvir xingamentos. Eu fiquei uma hora e 40 minutos sendo ofendido. Cada pessoa que pegava o microfone me ofendia. O que você puder imaginar eu fui ofendido. Ofensas pessoais e profissionais. Me diziam que eu odiava criança, que eu não gostava de pobre, que era elitista. Isso é pessoal. Entre outras. Quando acabaram as ofensas, que era minha vez de falar, eu falei por um minuto e começaram a berrar. Ai eu falei para o vereador que presidia, que era o Toninho e falei: "Desculpa, preciso sair." Ele encerrou o evento, eu esperei ele encerrar e levantei para sair. Quando fui sair, um bom grupo de pessoas tinha se aglomerado próximo da porta. Por sorte, havia vários seguranças.

Então, esse seguranças fizeram assim, bloquearam uma parede e eu fui saindo. Foi quando um dos seguranças disse: "Secretário, corre". Eu saí correndo e as pessoas saíram correndo atrás, gritando "pega, pega". Isso está na internet porque eles mesmos gravaram. Uma pessoa disse: "Eu quero dar um tiro na cara dele". Esse dia, eu realmente confesso para você, fiquei bem abalado. Fiquei trinta minutos trancado dentro de uma sala, com as pessoas urrando lá fora, me ameaçando. Um segurança falando para descer para o estacionamento, o outro falando que não dava, porque já tinham cercado o estacionamento. É muita violência. Eu acho que tenso mesmo fiquei apenas uma vez porque, né, todo mundo tem sangue.

Sair um pouco dessas relações mais institucionais. Queria entender sua opinião sobre alguns temas, são perguntas mais rápidas. Tá tramitando um projeto no senado de criminalização do funk. Qual sua opinião sobre esse projeto e se você acha que o funk tem que ser criminalizado. 

Olha, eu não conheço o projeto. Então não quero dizer aqui sim ou não. Eu acho que o funk, enquanto movimento cultural e manifestação artística, eu não sou a favor de criminalização disso. O que acontece em bailes funk que é contra a lei já tem lei que coíbe, então a princípio essa é minha posição. 

Fizemos uma entrevista com um rapper, que citou uma frase sua, não sei se você se recorda, em que você fala de trazer artistas de periferia ao Theatro Municipal, mas diz em seguida: "Não se ele for um rapper, lógico". Queria entender um pouco da sua visão sobre a importância cultural do rap na cidade de São Paulo. Você olha para o rap e o que vem na sua cabeça?

Eu acho o rap, dentro do Hip-Hop que é mais amplo, uma linguagem fundamental. Eu, recentemente, há um mês atrás, nomeei um coordenador do Hip-Hop para a Secretaria - que fica no CCJ, coincidentemente. Fizemos um grande evento de Hip-Hop, o Hip-Hop Celebration, lá no CCJ. Foram aproximadamente 10 grupos, inclusive um de Campinas e de várias regiões de São Paulo.

Eu fui lá pessoalmente, fiz questão de ir. Num ambiente que vamos dizer que não é exatamente um ambiente da 'minha turma', mas para mostrar meu apoio, mostrar meu respeito ao que estava acontecendo lá. Tenho total apoio. Temos duas casas de Hip-Hop que estão com pessoas coordenando que são pessoas ligadas a isso, fizemos o mês do Hip-Hop, que foi o maior mês do Hip-Hop dos últimos 4 anos. Ele atrasou um pouquinho, mas foi mais ou menos na época. E estamos agora justamente com uma pessoa para fazer uma política para o Hip-Hop que não seja só um mês do Hip-Hop, mas que seja o ano todo. Na jornada do patrimônio, também teve concerto Hip-Hop no teatro municipal.

Sobre a Virada Cultural, você pensa em algumas alterações substanciais em relação ao modelo da Virada de 2017? Pela minha leitura e pela maioria da crítica especializada, houve um esvaziamento do centro. O público também parece que foi bem abaixo da última. O que está pensando para a Virada 2018?

As pessoas podem ter a opinião que quiserem. Agora, fatos são fatos. É fato que choveu das oito da manhã até de noite no domingo. Choveu frio e choveu sem parar. Então, não dá para você comparar, porque a Virada dura dois dias. A gente perdeu domingo. Nunca na história da virada choveu o dia todo. Nós fizemos esse levantamento. A única vez que choveu na virada, choveu as 4 da tarde, portanto atrapalhou os últimos eventos. É incomparável por causa disso. No sábado, nós tivemos muito sucesso.

Dizer que o centro estava esvaziado não corresponde à realidade. O centro não estava tão cheio, e isso é verdade. Foi algo que a gente desejava. Não uma virada vazia, mas que as pessoas pudessem vir ao centro e se divertir, e não como em outras viradas que viraram transtorno, para as pessoas e para, eventualmente, quem passa por aqui. Eu estava aqui até quase duas horas da manhã. O centro estava muito cheio. Mas cheio de um jeito que conseguia se mexer, sem que tivesse 40 mil pessoas em um único lugar, que depois se locomoviam juntas. A Virada estava mais espalhada, a gente tinha 30 palcos aqui no centro.

Tirando as chuvas, você considera que foi ideal? O que tem a melhorar pro ano que vem?

Ideal não. Acho que a gente precisa pensar, por exemplo, em uma coisa que não deu certo, que foi o Sambódromo. Fizemos um investimento muito bacana de programação e não deu certo. Não deu certo porque ali não é o lugar para isso. Não vamos repetir. Mas a descentralização funcionou muito. Tivemos milhares de pessoas no Grajaú, na Penha. E aí porque fizemos isso? Tenho que dizer porque acho que deu certo. Eu sempre ouvi muita gente reclamar da Virada dizendo que era muito dinheiro gasto num dia só. Realmente, muita gente vinha para a Virada e passava um ano inteiro sem voltar no centro. O que eu achei: "Vamos gastar uma parte desse dinheiro para tentar fazer com que o investimento da Virada beneficie o ano todo".

Então, a hora que eu levo gente que nunca foi no Centro Cultural da Penha e mora no entorno, o cara vai voltar durante o ano. A gente cria e reforça um habito cultural, valoriza um equipamento dessa forma. O Centro Cultural do Grajaú tinha uma média de público que, hoje, é muito superior. Duas semanas atrás fizemos um show do Pagode 27. Tinha 10 mil pessoas. Isso é acertado. No centro a gente ainda precisa equacionar algumas questões, mas eu acho que a ideia de não ter palcos grandes foi acertada. Tivemos problemas técnicos, que estamos trabalhando para saná-los, porque foi tudo muito em cima da hora. Acabou que teve licitação, teve gente que errou licitação e assinou contrato em cima da hora. Acabamos tendo uma falha, mas ai não é uma falha do projeto cultural, é uma falha técnica que precisa ser consertada. Então acho que a maior alteração é o sambódromo, que deixa de fazer parte.

O que você pensa para o carnaval de rua de 2018?

Fizemos um encontro divulgado, aberto, uma audiência publica em maio, no CCSP, tinham 300 pessoas, representante de bloco grande, bloco pequeno, de bloco tradicional, bloco ‘isso', de moradores para reclamar do carnaval. Ouvimos muitas coisas, preparamos uma cartilha, fizemos uma cartilha em consulta pública, na internet. Porque eu acho muito importante fazer essa audiência de que você vai, as pessoas vão. Mas tem gente que não pode ir.

Na hora em que eu ponho em consulta pública na internet, qualquer pessoa pode mandar sua sugestão. Esse grupo mandou uma carta que tinha algumas sugestões que foram incorporadas na lista de sugestões. Nesse meio tempo, o prefeito decidiu que a coordenação do carnaval de rua deve passar pela secretaria de Prefeituras Regionais. Então, nós vamos pegar todo esse trabalho que nós fizemos, a nossa cartilha, todas as sugestões que chegaram. Fizemos um parecer sobre as sugestões e vamos entregar. Ano que vem quem opera totalmente é a secretaria de Prefeituras Regionais. Então não vou falar sobre ano que vem porque já não vai caber a nós.

Queria entender um pouco sobre sua relação com o prefeito João Dória. Você disse que não conhecia o prefeito até a eleição. Sua primeira conversa foi depois dele eleito?

Foi. Ele me convidou. Não conhecia o prefeito, mas sabia quem ele era. Um dia recebi um telefonema dizendo que queria falar comigo dois dias depois. Fui encontrá-lo no gabinete dele, não foi nem no escritório dele. Ele foi muito gentil, falou que admirava meu trabalho e queria me convidar para ser secretário de Cultura.




Sturm e Dória não se conheciam até a eleição (Foto: Divulgação)

E no dia-a-dia, como é sua relação com ele?

É muito boa. O prefeito tem uma qualidade para trabalhar junto que é a seguinte: em nove meses, todas as vezes que eu ligo, se ele não me atende na hora, ele liga de volta no mesmo dia.

Eu mando um WhatsApp para ele no mesmo dia tenho a resposta. Pode ser sim, pode ser não. Mas ele te dá uma resposta. Isso é uma coisa que é bacana, você tem resposta e você toca a vida. Ele não é muito de fazer reuniões com um secretário, para ficar... Em compensação, a cada 15 dias, ele faz uma reunião com todos os secretários, então você sabe o que está acontecendo, tem a chance de conversar. É uma relação que eu acho bastante boa. Ele como comandante, digamos assim, da gestão.

Você já cogita de alguma forma a saída do prefeito, trabalhar com o vice-prefeito fazendo essa relação? Você tem relação boa com Bruno Covas?

Tenho relação ótima. O Bruno é uma pessoa super afável, divertido, conta piada. Uma pessoa ótima. Eu não estou fazendo essa avaliação porque cada dia é cada dia, acho que o prefeito está ai se colocando, mas também não é certo. De qualquer maneira, acho que o Bruno é uma pessoa, como falei, muito afável e gentil.

Para encerrar, queria entender se você se imagina em mais uma gestão na prefeitura, ou quem sabe um dia no Ministério da Cultura.

Olha, com toda franqueza, não é o meu plano de vida. Eu tenho uma história, estava com um projeto de filme que eu estava começando a desenvolver, que eu abri mão para vir para cá. Me motiva o desafio de fazer coisas que possam ser perenes e manter as coisas boas que estão acontecendo. Acho que isso é um desafio bacana. Mas acho que é meio que como serviço militar, a gente dedica um tempo da nossa vida para isso e depois volta para vida privada. O salário é baixo, a dor de cabeça é grande e tem a burocracia. Eu gosto de desafios, estou muito satisfeito, de novo, mas não tenho esses planos na vida, não. Eu prefiro ir fazer filme, ou de repente dirigir...

Se João Dória te convidasse para ser ministro da Cultura, você iria?

(Risos) Isso não estava falado, porque ele precisa me convidar primeiro.

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