Brasileiros

A importância dos artistas se reinventarem e questionarem as coisas ao redor

Cultura
Prêmio Montblanc

Em vista ao Brasil para a cerimônia de entrega do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage, os curadores da Fundação Montblanc, Till Fellrath e Sam Bardaouil, defendem a liberdade de expressão em nosso meio cultural
Marcelo Pinheiro
Publicado em: 10/10/2017 - 11:23Alterado em: 10/10/2017 - 12:19
Till Fellrath e Sam Bardaouil, curadores e chairmans da Fundação Montblanc, baseada em Hamburgo, na Alemanha. Foto: Coil Lopes

Curadores e co-chairmen da Fundação Cultural Montblanc, Sam Bardaouil e Till Fellrath participam na noite desta terça-feira (10) da cerimônia de entrega da edição brasileira do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage, que será realizada, para convidados, na Pinacoteca de São Paulo.  

Em sua 26ª edição, a segunda no Brasil, a premiação, que consagra iniciativas de mecenato artístico em 17 países e destina aos vencedores um aporte de 15 mil euros para novos projetos, anunciará hoje o grande vencedor entre três indicados.

Selecionados por meio de um júri internacional formado por 51 personalidades de diversas áreas, os concorrentes brasileiros são: o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, idealizado pelo apresentador Luciano Huck; a Associação Cultural Videobrasil, fundada e dirigida pela curadora Solange Farkas; e o Instituto Ricardo Brennand, dirigido pelo empresário e colecionador pernambucano (saiba mais).

Nesta segunda-feira (9), dando início a uma série de entrevistas para a imprensa local, a dupla de curadores abriu a agenda de conversas em um encontro com a reportagem de páginaB!.   

“Há cerca de um ano e alguns meses atuamos como diretores e curadores da Fundação Montblanc, e tem sido uma jornada fantástica. É muito gratificante ver as respostas que as instituições de tantos países têm dado às atividades da fundação. Aprendemos muito e, juntos, tivemos grandes ideias que serão desenvolvidas nos próximos anos”, afirmou Bardaouil.

“No Brasil, este é o segundo ano em que estamos premiando patronos por suas contribuições às artes do País (leia a cobertura da primeira edição). No último ano, criamos também um conselho curatorial internacional formado por profissionais do meio artístico, e um deles, que está baseado no Brasil, Jochen Volz, é conhecido por seu trabalho na Pinacoteca de São Paulo e também como curador da última Bienal de São Paulo. A ideia, com esse conselho curatorial, é criar uma rede de contatos que incremente nossas buscas. O fato de termos escolhido alguém que está no Brasil para contribuir conosco é também uma forma de reafirmar o quanto acreditamos na arte feita no País”, complementou Fellrath.  

Durante a entrevista, Bardaouil e Fellrath também anunciaram que artistas beneficiados por patronos dos 17 países contemplados com o prêmio terão trabalhos comissionados que, ao mesmo tempo em que vão expandir o acervo da coleção Montblanc, também serão exibidos ao público em mostras e bienais. "O patronato, para nós, significa algo muito importante. É sobre pessoas que investem recursos substanciais, de tempo e dinheiro, para apoiar artistas a criar para as pessoas a possibilidade de mudar a paisagem da cultura das comunidades de onde elas vêm", reiterou Bardaouil. 

O Brasil no cenário mundial das artes

"Uma das razões que nos deixa muito excitados de estar aqui é o fato de o Brasil ser um país com grandes contribuições para a arte, não só nos últimos dez ou 20 anos, mas por séculos. Desde o século 18, o Brasil tem uma grande tradição na pintura, na escultura, vindas de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras", defende Baradouil, antes de listar alguns de seus artistas brasileiros prediletos, como Tarsila do Amaral, José Pancetti, Lasar Segall, Geraldo de Barros e Di Cavalcanti. Este último, destaca o curador, "tem agora uma exposição brilhante na Pinacoteca", referindo-se à mostra No Subúrbio da Modernindade - Di Cavalcanti 120 anos, com curadoria de José Augusto Ribeiro.  

Atentos às questões contemporâneas da arte brasileira, Bardaouil e Fellrath acompanham de perto a celeuma deflagrada com a mostra Queermuseu, que estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi encerrada antecipadamente, sob acusações de apologia à zoofilia e à pedofilia, e a acusação de pedofilia também atribuída à performance La Bête (leia análise de Fabio Cypriano), realizada pelo artista Wagner Schwartz na abertura do 35o Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). 

"Penso que é muito importante para a rede de patronato artístico, além de dar suporte aos artistas, criar o espaço necessário para que eles possam se expressar livremente. Não importam as circunstâncias, é absolutamente importante que eles estejam hábeis para se reinventar e questionar as coisas ao redor. Um dos valores mais importantes para um patrono da arte é criar espaços livres onde os artistas possam experimentar sem limites.  Algo que fortemente acreditamos é na liberdade de expressão para os artistas, e ficamos felizes de poder manifestar esse apoio aqui no Brasil", opinou Fellrath. 

Confira nesta quarta-feira (10), em páginaB!, a cobertura completa da cerimônia de entrega do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage.     
        

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