Brasileiros

Como aplicativos estão democratizando o acesso às consultas médicas

Página B - Inovação

Ferramentas para marcar consulta perto de onde você está, a domicílio ou de emergência, tomar vacinas e fazer exames prometem facilitar o cuidado com a saúde
Monica Tarantino
Publicado em: 12/07/2016 - 00:00Alterado em: 29/08/2017 - 17:22

Computadores e celulares estão se tornando ferramentas muito importantes para o gerenciamento da saúde pessoal. São cada vez mais usados para ajudar na adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, para fazer exercícios respiratórios, caminhar, correr, malhar, controlar a glicemia, lembrar do remédio e até monitorar dados de frequência cardíaca, entre outros. Mais recentemente, começaram a surgir apps voltados para a marcação de consultas e exames.

“São uma forma de facilitar o acesso”, diz o médico patologista e especialista em gestão Carlos Ballarati, um dos criadores do app Consulta do Bem. Ele se associou a outros dois médicos ( o cirurgião cardiovascular Marcos Vinicius Gimenez e o pediatra Manuel Laffer) e dois economistas (Rafael Morgado e Thiago Souza) para criar o programa. 

No app Consulta do Bem, você determina o raio de alcance para a busca do especialista  (de cinco a 200 quilômetros), seleciona o médico mais próximo ou com o qual simpatiza mais, compara os preços da consulta fornecidos pelos próprios profissionais  (de R$ 58  a R$ 150) e horários. A plataforma funciona por computador ou celular (iOS e Android). Para obter mais informações sobre o médico antes de agendar, basta clicar na foto para acessar um mini currículo. Outra forma é anotar o CRM (o registro profissional) indicado abaixo da foto e checar no site do Conselho Regional de Medicina (Cremesp).

O pagamento é com cartão de crédito ou boleto bancário. No segundo caso, a consulta só acontece depois da confirmação do pagamento. Os médicos não pagam para se filiar e a empresa cobra R$ 10 pelo agendamento.

Consultas de emergência e a domicílio, vacinas e exames

Outro app, o Docway (apenas celular, disponível para iOS e Android no Google Play) é uma plataforma para marcar consultas em casa ou no consultório com mais agilidade. Atualmente, oferece médicos cadastrados nas áreas de pediatria, clínica geral, médicos da família, ortopedia e dermatologia.

O interessado precisa se cadastrar, selecionar o item desejado (consulta, vacina, exame ou emergência) e ajustar o endereço da visita em um mapa. Gente mais jovem certamente fará isso com mais facilidade do que a geração anterior ao surgimento do celular. O passo seguinte é selecionar Peça agora (promete levar um médico até você em três horas) ou Agende aqui. Neste caso, você escolherá a especialidade, o horário e a forma de pagamento e depois preencherá uma lista de sintomas.

O preço das consultas está indicado e varia bastante (de R$ 200 a R$ 1000, por exemplo). Por isso, preste atenção antes de optar. Há também um calendário de vacinas e locais próximos da sua localização atual para tomar os imunizantes e fazer a coleta de material para exames laboratoriais. 

Se o cliente tiver plano de saúde, pode pedir reembolso. A Docway fica com 15% do valor da consulta. O serviço está disponível em Belo Horizonte, Manaus e São Paulo. A companhia garante que médicos com avaliação ruim (feita on-line depois da consulta) são descadastrados. 

Uma revolução no acesso

Entrevista: Carlos Ballarati 

O médico patologista Carlos Ballarati, um dos criadores do app Consulta do Bem, trocou uma  carreira bem-sucedida em instituições como o hospital Sírio Libanês e o Instituto Butantan para investir em inovação. Nesta entrevista, Balla,  como é conhecido, discute alguns dos benefícios que essa tecnologia pode oferecer aos pacientes   aos pacientes e ao sistema de saúde. 

Saúde!Brasileiros – Por que você decidiu entrar no mundo  da inovação?
Carlos Ballarati – Porque usar a  tecnologia para melhorar o acesso  à saúde é o próximo grande desafio. Depois de  montar um  laboratório de imunologia no Hospital Sírio Libanês, fui trabalhar em  Angola, na África, em um projeto voltado para a reestruturação do  sistema de saúde de lá. Quando voltei, assumi a diretoria da Medial  Saúde, presidi a Associação Brasileiros de Patologia Clínica e depois,  com uma organização social,  montei clínicas populares, laboratórios e  um hospital para crianças com deficiência em Fortaleza. Agora, eu me  liguei a esses jovens…meus sócios tem entre 30 e 36 anos. Eles são  rápidos, pensam em soluções. Está dando certo porque estamos  combinando juventude e experiência.  Eu acho que vamos transformar o acesso, num caminho de mudança social muito legal.

De que forma os apps para marcar consulta podem melhorar o acesso? 
Um aspecto é a economia de tempo, o bem mais precioso. Hoje, muita gente não vai ao médico por falta de tempo. Se a pessoa puder agendar uma consulta na hora do almoço ou perto do local de trabalho ou de casa, ganha tempo.  Mas vamos pensar mais complicado. O que custa mais caro para um sistema de saúde? Atender o paciente e ser resolutivo. Por exemplo, se a pessoa tem diabetes, ser resolutivo é monitorar o paciente ou vê-lo quando já desenvolveu complicações como o pé diabético? Nessa fase, ele custará muito mais do que se for atendimento preventivamente. A gente tem que começar, o Brasil como um todo e no mundo, a trabalhar preventivamente. 

Quantas consultas Consulta do Bem realiza por mês?
Estamos começando com uma média de 15 consultas diárias. Depende muito do mês. Tem mês que tem muito feriado. Nossa taxa de crescimento é cerca de 26% a 30% ao mês. 

Qual é a média anual de consultas do brasileiro?
Muito baixa! A média de uma população saudável, hoje, é de cerca de seis consultas por ano no médico. Hoje, no Brasil, o sistema público de saúde realiza cerca de três consultas por indivíduo. Já o sistema privado chega à média de nove consultas. Ou seja, estamos fora da média e com uma lacuna a ser preenchida. Menos consultas significa que muita gente não consegue o acesso necessário.

Como é a relação com os médicos? 
Não somos uma empresa médica e sim uma empresa de tecnologia em saúde e de acesso a médicos. Não temos relação com as operadoras e nem relação comercial com os médicos.  Os médicos gostam porque ganham mais e o paciente porque resolve o seu problema mais rapidamente. 

É difícil trabalhar com inovação no Brasil?
Sim! Nós não temos uma cultura de inovação e a medicina é muito conservadora, o que dificulta ainda mais. Mas agora eu fico tão feliz em ver que os médicos da minha idade (52 anos) já começam a buscar a tecnologia.  

Quais serão os próximos passos?
No próximo semestre, Consulta do Bem irá oferecer a marcação de exames. Muita gente vai na consulta e depois desiste do tratamento por causa da dificuldade de marcar exames. Usando a tecnologia para melhorar o acesso, esperamos melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, num caminho de mudança social.  

 

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