Brasileiros

Computação em nuvem e inteligência artificial inovam testes de laboratório no Brasil

Página B - Inovação

Empresa Hi Technologies criou dispositivo que permite realizar exames de sangue no consultório médico. Resultados saem em minutos e são validados pela internet
Carla Matsu
Publicado em: 08/08/2017 - 00:00Alterado em: 21/08/2017 - 15:13

É bem provável que dada a certa altura da vida, você já tenha passado por uma série de exames laboratoriais. O processo, até então, não mudou muito. Você se direciona a um laboratório, coleta uma amostra de sangue e caso tenha alguma fobia à agulha, bem, é algo que será preciso administrar com certa dignidade psicológica. Feito isso, não há muita saída a não ser esperar algumas horas ou dias para receber os resultados. Convenhamos, é um processo relativamente demorado que pode inspirar a ansiedade e hipocondria de qualquer um.

Agora, uma empresa brasileira afirma ter chegado a uma solução que resume todo esse contexto em um dispositivo que cabe na palma da mão. E, o melhor, permite fazê-lo a partir do próprio consultório médico e o resultado é concluído em questão de minutos.

Batizado de Hilab, o pequeno aparelho é a parte mais "palpável" da solução de telemedicina desenvolvida pela empresa do Paraná, a Hi Technologies. Aqui, a companhia emprega tecnologias emergentes como Internet das Coisas, análise de big data, inteligência artificial e computação em nuvem - desenvolvidas em parceria com a Microsoft e Intel - para entregar uma solução que, entre outras palavras, dá mobilidade aos laboratórios tradicionais. 

Lançado há cerca de um mês, o tricorder médico consegue realizar uma série de exames, incluindo testes para HIV, vírus Zika, Chikunguya, dengue, hepatite, teste de gravidez, colesterol total, HDL, vitamina D, glicemia, dentre outros.

"Queremos ser o maior laboratório do mundo, sem ter nenhum posto de coleta”, define Marcus Figueredo, CEO e cofundador da Hi Technologies.

O funcionamento é simples. Um enfermeiro ou até mesmo o médico fura o dedo do paciente com o auxílio de uma lanceta e pinga algumas gotas de sangue em uma cápsula que contém uma fita com reagentes específicos. Colocada no aparelho, a amostra é digitalizada e enviada à equipe de biomédicos da Hi Technologies via internet para uma central, localizada em Curitiba. Lá, os biomédicos analisam a versão digital para depois emitir um laudo, também digital. O arquivo, então, é devolvido para o profissional de saúde após alguns minutos, via e-mail.

De forma geral, o Hilab não apresenta nenhuma grande revolução bioquímica, mas sua grande inovação reside no uso de tecnologias contemporâneas para mudar a experiência do usuário. 

"O resultado é obtido da mesma forma que os laboratórios o fazem. A diferença é que nós mudamos a forma como o médico e o paciente lidam com o laboratório", resume o CEO em entrevista ao IDG Now!.

Laboratório na Internet

Um dos objetivos da Hi Technologies, diz o executivo, é facilitar o acesso à medicina complementar. Ao tornar laboratórios móveis e sua operação mais ágil, é possível levá-los para cidades e comunidades mais afastadas, ao mesmo tempo, racionalizar o número de exames. Com um aparelho como o Hilab disponível no próprio consultório, o médico já consegue localmente testar e descartar hipóteses para um possível quadro clínico, por exemplo, sem que, para isso, precise realizar e esgotar uma bateria de testes - algo que ficaria caro para aqueles que não possuem um plano de saúde.

Figueredo afirma que a companhia possui todos os registros sanitários necessários para as atividades desenvolvidas. Antes de lançar no mercado, um projeto piloto com o Hilab foi testado, de forma regular com a Anvisa, com um grupo de médicos para avaliar a performance do projeto como um todo.

"Nossos resultados são comparados com os dos laboratórios. Temos essas informações dentro da Hi Technologies e fornecemos aos nossos parceiros", garante o empresário. 

A meta da companhia é ter mil equipamentos em operação no Brasil até o final deste ano e, em doze meses, saltar para 10 mil Hilabs em uso. O modelo de contratação é feito por aparelho, que é concedido de forma gratuita, já a Hi Technologies recebe por exame realizado. Os preços, segundo a fabricante, são mais competitivos do que os do mercado, o que tornaria o Hilab atrativo para o Sistema Público de Saúde (SUS) e para planos de saúde. Segundo Figueredo, a ideia é viabilizar o projeto também para essas duas instâncias. "Se ficarmos só com a saúde privada, não completamos a nossa missão como empresa", salienta. 

"Para todos os efeitos, nós somos um laboratório de análises clínicas como qualquer outro. A diferença em relação aos outros é que nossa base de operação está na internet e temos um background sólido em tecnologia", diz Figueredo cuja formação é em engenharia da computação, assim como a do cofundador, Sérgio Rogal. Em 2016, metade da empresa foi adquirida pela Positivo Tecnologia. 

Fundada em 2004, a Hi Technologies foi lançada inicialmente na Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec). Além do Hilab, a companhia desenvolveu internamente a plataforma Milli, um oxímetro de pulso que funciona como um tablet capaz de medir os sinais vitais e um dispositivo que realiza um teste que identifica cardiopatias em recém-nascidos. Segundo a própria companhia, as soluções por ela desenvolvidas são usadas em 22 estados do Brasil, e em 15 países, incluindo Estados Unidos, Israel e Canadá.
 

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