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Entenda porque a utilização da Base de Alcântara pelos EUA é uma ameaça à soberania nacional

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Posicionamento em frente à África Ocidental é estratégico para as operações político-militares dos Estados Unidos na América do Sul e na África, além de eventuais confrontos com a Rússia e a China.
Samuel Pinheiro Guimarães
Publicado em: 21/11/2017 - 18:15Alterado em: 21/11/2017 - 18:26
A base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão. Foto: Reprodução / Agência Brasil

Descartadas pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2003, ano do início do seu primeiro mandato, as negociações em torno da eventual utilização da Base de Alcântara, no Maranhão, pelas forças militares norte-americanas foram, no entanto, retomadas, no início de 2017, por iniciativa de José Serra, então ministro das Relações Exteriores (cargo hoje ocupado hoje também tucano Aloysio Nunes).

Muito além de sinalizar uma colaboração entre países aliados, o eventual acordo é estratégico para os interesses geopolíticos norte-americanos, como enfatiza Samuel Pinheiro Guimarães. Confira os dez argumentos defendidos pelo ex-secretário geral do Itamaraty (2003-2009) e ex-ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010).

1 - Os Estados Unidos, além de suas frotas de porta aviões, navios e submarinos nucleares que singram todos os mares, possuem mais de 700 bases militares terrestres fora de seu território nacional nos mais diversos países, em muitas das quais instalaram armas nucleares e sistemas de escuta da National Security Agency (NSA).

2 - Os Estados Unidos têm bases de lançamento de foguetes em seu território nacional, entre elas a base de Cabo Canaveral, perfeitamente aparelhadas, com os equipamentos mais sofisticados do mundo, para o lançamento de satélites e de foguetes.

3 - Os Estados Unidos não necessitam, portanto, de instalações a serem construídas em Alcântara para o lançamento de seus foguetes.

4 - O objetivo americano não é impedir que o Brasil tenha uma base competitiva de lançamento de foguetes; isto o Governo brasileiro já impede que ocorra pela contenção de despesas com o programa espacial brasileiro.

5 - O objetivo principal norte americano é ter uma base militar em território brasileiro na qual exerçam sua soberania, fora do alcance das leis e da vigilância das autoridades brasileiras, inclusive militares, e onde possam desenvolver todo tipo de atividade cuja essência é militar.




Distância entre o Maranhão e a África Ocidental é estratégica para os EUA em eventuais confrontos com a Rússia e a China. 
Foto: Reprodução / Google Maps

6 - A localização de Alcântara, no Nordeste brasileiro, em frente à África Ocidental, é ideal para os Estados Unidos do ângulo de suas operações político-militares na América do Sul e na África e de sua estratégia mundial, em confronto com a Rússia e a China.

7 - O Governo de Michel Temer tem como objetivo central de sua política (que nada mais é do que o cumprimento das recomendações do Consenso de Washington) atender a todas as reivindicações históricas dos Estados Unidos feitas ao Brasil não só em termos de política econômica interna (abertura comercial, liberdade para investimentos e capitais, desregulamentação, fim das empresas estatais, em especial da Petrobras) como em termos de política externa.

8 - Cabe à politica externa de Temer cooperar com a execução deste programa de Governo, cujo objetivo principal é atrair investimentos estrangeiros, além de ações de combate à Venezuela, de afastamento em relação aos vizinhos da América do Sul, de destruição do Mercosul, a partir de acordo com a União Europeia, cavalo de Troia para abrir as portas para um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos, de adesão à OCDE, como forma de consolidar esta política econômica, e de afastamento e negligência em relação aos países do Sul.

9 - Nesta política geral do Governo Temer, o acordo com os Estados Unidos para a utilização da Base de Alcântara configura o caso mais flagrante de cessão de soberania da história do Brasil.

10 - Os Estados Unidos, se vierem a se instalar em Alcântara, de lá não sairão, pois de lá poderão “controlar” o Brasil, “alinhando” de fato e definitivamente a política externa brasileira e tornando cada vez mais difícil o exercício de uma política externa independente.

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