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A francoatiradora que mirava fascistas

Opinião
- Coisas da História

Estudante de História, a soviética Lyudimila Pavlichenko provocou 309 baixas nas fileiras nazistas durante a Segunda Guerra Mundial
Luiza Villaméa
Publicado em: 09/01/2018 - 13:07Alterado em: 09/01/2018 - 13:07
A francoatiradora no primeiro semestre de 1942, antes de ser ferida por um morteiro e deixar o campo de batalha - Foto: Reprodução

Eleanor Roosevelt, a primeira-dama americana durante a Segunda Guerra Mundial, perguntou à francoatiradora soviética Lyudimila Pavlichenko quantos homens ela havia matado em combate. “Homens, nenhum. Fascistas, 309”, respondeu Lyudimila.

Não há gravação para mostrar se o diálogo foi exatamente assim. O fato é que, pelos registros oficiais, Lyudimila eliminou 309 soldados alemães, 36 deles snipers, como ela.

Lyudmila estudava História em Kiev, na Ucrânia, quando as tropas de Hitler invadiram a União Soviética, em junho de 1941. Alistou-se, mas não aceitou ser enfermeira, a primeira indicação que recebeu no Exército.

Como treinava tiro desde a adolescência, ela conseguiu ser incorporada como francoatiradora. Outras duas mil mulheres soviéticas atuaram na mesma posição durante a guerra. Não mais que 500 voltaram para casa.

Lyudimila foi de longe a mais bem-sucedida de todas. Ferida por um morteiro, em julho de 1942, ela teve de deixar o campo de batalha para se tratar. Não conseguiu voltar.

Por causa da fama como francoatiradora, o governo soviético resolveu usá-la para convencer os Estados Unidos a abrir um segundo front da guerra na Europa. E despachou-a para Washington.

A convite do presidente Franklin Delano Roosevelt, Lyudimila se tornou a primeira soviética a visitar a Casa Branca. Caiu também nas graças da primeira-dama, Eleanor, com quem viajou pelo país. Só se irritava quando os jornalistas insistiam em perguntar sobre moda e cosméticos.

Em Chicago, ao discursar para uma multidão, Lyudmila decidiu provocar os homens: “Eu tenho 25 anos e, até agora, matei 309 invasores fascistas. Vocês não acham, senhores, que estão se escondendo atrás de minhas costas por tempo demais?”




Lyudimila, em Washington, entre Robert Jackson, da Suprema Corte, e a primeira-dama Eleanor Roosevelt
- Foto: Reprodução / Library of Congress

 

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