Brasileiros

Thomas Cohn: “um dos maiores inimigos do artista é o sucesso”

Arte
- Memória

Falecido na segunda-feira (5) aos 83 anos, o galerista alemão foi decisivo para a consolidação da Geração 80. Em seminário promovido pela feira SP-Arte, ele falou sobre a experiência de revelar talentos como Leonílson, Leda Catunda e Adriana Varejão
Da Redação
Publicado em: 07/02/2018 - 11:36Alterado em: 07/02/2018 - 20:15
O galerista e colecionador alemão Thomas Cohn, falecido aos 83 anos na segunda-feira (5), Foto: Reprodução / Facebook

Morreu em São Paulo na segunda-feira (5), aos 83 anos, o galerista e colecionador alemão Thomas Cohn. Nascido na cidade de Beuthen, de ascendência judia, Conh veio para a América do Sul aos 8 anos de idade acompanhando a família, que fugia do cerco das tropas nazistas e se estabeleceu no Uruguai. Diagnosticado com um câncer de intestino em 2017, o galerista foi cremado na terça-feira (8), em cerimônia restrita à familiares e amigos.         

Radicado no Brasil desde 1962, ao lado de sua primeira companheira, Myriam Tenebaum Cohn (atualmente era casado com Miriam Spira), o marchand alemão criou no Rio de Janeiro, em 1983, a Thomas Cohn Arte Contemporânea, galeria que encerrou atividades em 31 de março de 2012.  

Um dos principais espaços para a arte na capital fluminense, a galeria foi determinante para dar visibilidade e consolidar artistas da chamada Geração 80, como Leonílson, primeiramente representado por Cohn, Adriana Varejão, Leda Catunda e Edgard de Souza.

O galerista também foi responsável por levar ao Rio as primeiras individuais de outros importantes artistas, como Mira Schendel, Amilcar de Castro, Lygia Pape, Daniel Senise e jovens artistas internacionais, como Stephen Peirce, James Jessop, Diana Arbus e Tony Cragg.

Em 1997, Cohn decidiu migrar sua galeria para a sede paulistana que marcou sua despedida do mercado de arte. Desde 1984, quando fez sua primeira participação em feiras interncionais na ARCO Madrid, o alemão era figura frequente nas principais feiras e bienais ao redor do mundo.

Em 2012, durante a edição daquele ano da SP-Arte, Thomas Cohn foi um dos convidados do seminário Diálogos, conduzido pelo crítico Adriano Pedrosa e promovido pela feira paulistana com apoio da revista ARTE!Brasileiros.

Bem-humorado, afirmando que saia de cena porque não tinha mais o que oferecer a novos artistas, ao lembrar da visita, em 1983, de um jovem chamado Leonílson, que teve a primeira exposição acordada assim que o galerista viu três obras de uma pasta com dezenas delas, Cohn revelou consequências negativas e positivas de seu pioneirismo:

“Sempre atuei com a filosofia de dar chance aos novos artistas. E muitas vezes perdi dinheiro. Como consequência da descoberta do Leonílson, em menos de 60 dias, por exemplo, eu acabei perdendo Sérgio Camargo, Carlos Vergara, Tunga e José Resende. Mas logo depois entraram artistas como Leda Catunda, Daniel Senise Edgard de Souza e Adriana Varejão.”

Desfrutando do que considerava “vantagens de sair de cena”, Cohn encerrou sua participação no seminário deixando um conselho aos jovens artistas que eventualmente pudessem se deslumbrar com o cenário otimista que o mercado brasileiro vinha experimentando ao longo daquele início de década.

“Eu sempre procurei ser muito franco, agora posso ser ainda mais, e insisto: um dos maiores inimigos do artista é o sucesso. O sucesso comercial é muito perigoso. Quando o dinheiro começa a entrar, algo muito bom, muitos artistas pensam ‘vou continuar com essa linha’. Mas o artista não pode pensar dessa forma. Ele tem sempre que acrescentar algo a sua obra. No dia em que deixar de apresentar esse valor, o artista ‘acabou’.”

Em 2014, depois de dois anos viajando, pesquisando e mantendo contato com artistas europeus, norte-americanos e australianos, Cohn inaugurou na rua Joaquim Antunes, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a primeira galeria de joias de arte do Brasil, com uma mostra inaugural batizada de Colares Contemporâneos. As exposições também eram complementadas com programas educativos, que incluíam palestras e workshops com alguns dos maiores especialistas do universo da joalheria de arte internacional.

Além da viúva Miriam, Thomas Cohn deixa duas filhas, Anny e Vivian Gandelsman, criadora do Artload, um banco de dados com atualização contínua sobre o sistema de arte internacional, que oferece centenas de depoimentos de personagens de diversas áreas.   

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