Brasileiros

Solange Farkas conquista a edição brasileira do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage

Cultura
Prêmio Montblanc

Atuação como fundadora e curadora da Associação Cultural Videobrasil, que realiza o festival epônimo, atualmente em cartaz, em SP, foi consagrada em cerimônia na Pinacoteca de São Paulo
Da Redação
Publicado em: 12/10/2017 - 16:22Alterado em: 27/10/2017 - 19:18
Sam Bardaouil, Solange Farkas, Till Fellrath e Alain Dos Santos. Foto: Denise Andrade

Em cerimônia realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo na noite da última terça-feira (10), Solange Farkas, idealizadora da Associação Cultural Videobrasil, foi consagrada a grande vencedora do Prêmio Montblanc de la Culture Arts Patronage. Curadores e co-chairmen da Fundação Cultural Montblanc, Sam Bardaouil e Till Fellrath estiveram presentes na cerimônia. A maison alemã também foi representada por Alain Dos Santos, manager director da Montblanc Brasil. 

Em sua 26ª edição, a segunda no Brasil, a premiação, que consagra iniciativas de mecenato cultural e destina aos vencedores um aporte de 15 mil euros para novos projetos, está presente em 17 países: Alemanha, China, Colômbia, Coréia, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hong Kong, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia , Suíça e, pela primeira vez, em Bangladesh. Pelo segundo ano consecutivo, a revista ARTE!Brasileiros teve a honra de produzir a cerimônia no Brasil.

Selecionados por meio de um júri internacional formado por 51 personalidades de diversas áreas, os demais concorrentes brasileiros foram: o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, idealizado pelo apresentador Luciano Huck;  e o Instituto Ricardo Brennand, dirigido pelo empresário e colecionador pernambucano. 

No Brasil, o júri foi composto por: Paula Alzugaray, curadora independente, crítica de arte e editora da revista Select Art; Luciano Cury, diretor de conteúdo do Canal Arte1; e Jochen Volz, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e membro do recém-criado Curatorium da Fundação Cultural Montblanc.

Além do aporte financeiro de 15 mil euros, Solange também recebeu, encapsulado em um troféu, um exemplar do instrumento de escrita da série Patrono das Artes. Especialmente desenvolvida para o prêmio, a coleção tem tiragem limitada e presta homenagem a importantes mecenas da história da arte. Neste ano, a peça criada pelos artesãos da maison Montblanc, sediada em Hamburgo, reverencia o legado do cardeal Scipione Borghese (1577 -1633). Considerado um dos maiores patronos e colecionadores da arte europeia e da arte barroca do século XVII, Borghese apoiou artistas como Caravaggio e Gian Lorenzo Bernini. 

Em cartaz, em São Paulo, no Sesc Pompeia até 14 de janeiro de 2018 (saiba mais), e apresentando 68 trabalhos de 50 artistas vindos de 25 países, no discurso de agradecimento, Solange relembrou o conturbado cenário sociopolítico em que o Festival Videobrasil foi criado, a primeira metada dos anos 1980, período em que o Brasil vivia os dias finais do regime militar instaurado em 1964. Ao pontuar dificuldades superadas ao longo dos 34 anos de existência da mostra e da instituição, defendeu o caráter de resistência cultural do Videobrasil. 

"O Videobrasil foi criado nos anos 1980, quando o País estava començando a sair de uma ditadura militar de duas décadas, marcada pela censura, pela perseguição a minorias políticas e por uma visão tacanha da moral e dos bons costumes e das artes. Agora, quando o fantasma desse período vola a ameaçar de maneira tão ameaçadora é fundamental que todas as pessoas e instituições se posicionem contra esse retrocesso possível".  ", afirmou.

Veja o discurso de Solange Farkas, na íntegra, em vídeo divulgado pela cineasta Tata Amaral.

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Em entrevista a páginaB! (leia), referindo-se às recentes polêmicas deflagradas com a mostra Queermuseu, que estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre, e foi encerrada antecipadamente, sob acusações de apologia à zoofilia e à pedofilia, e a acusação de pedofilia também atribuída à performance La Bête, realizada pelo artista Wagner Schwartz na abertura do 35o Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Sam Bardaouil e Till Fellrath fizeram defesa análoga à manifestada por Solange. "Penso que é muito importante para a rede de patronato artístico, além de dar suporte aos artistas, criar o espaço necessário para que eles possam se expressar livremente. Não importam as circunstâncias, é absolutamente importante que eles estejam hábeis para se reinventar e questionar as coisas ao redor. Um dos valores mais importantes para um patrono da arte é criar espaços livres onde os artistas possam experimentar sem limites.  Algo que fortemente acreditamos é na liberdade de expressão para os artistas, e ficamos felizes de poder manifestar esse apoio aqui no Brasil", opinou Fellrath.

MAIS

Veja galeria de fotos da cerimônia 

 

 

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